quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Conto para pulsar o coração.
Estava acostumado a amar uma mulher que não tinha por direito, que não era sua. A primeira vez que a vira foi em uma bendita viagem a Paris patrocinada pela empresa que dava o mundo em troca de sua inteligência, no começo se sentiu sozinho, perdido no meio de tantos parques, modelos, flashes e campanhas publicitarias, mas alguma coisa que ele não sabia dizer bem o que era, lhe avisava que nada iria ficar como parecia estar. A primeira vez que colocou os olhos nela foi em uma festa em algum desses barzinhos que ele julgava ser um poço do cérebros sem nexo, de pessoas que pareciam que tinham desaprendido a pensar e enchiam seus fígados e rins de misturas alcoólicas de baixa qualidade, mas como já dissera antes, julgava, pois como para toda regra á uma exeção, nesse bar tinha alguém que fizera brilhar os seus olhos e acelerar o seu coração. Ela não era exatamente bonita, nem tão pouco feia, era de uma mistura agradável de rebeldia e sofisticação, os cabelos ruivos longos com abertos cachos pesados com suaves fios menores que emolduravam seus olhos de um preto vivido que encaixavam com suas sardas marrons descretas e que brincavam em uma pele pálida como sua expressão, davam a ela um ar soberbo e sedutor, mas como em um encantamento ao olhar para ele seus lábios se abriram em um sorriso de contentamento. Não sabia como, mas ela parecia fazer com ele o que todas as outras não conseguiram, muitas tentaram mas acabavam os dias com xingamentos escandalosos ou com palavras duras em vozes macias, ele mal se importava, por aquelas mulheres e suas pernas sem importância ele não tinha vontade de mover uma célula, e assistia elas partirem com olhos de quem está vendo uma vida que não é sua, Mas com ela, a ruiva, era diferente, e depois de 35 anos sentia algum que não conhecia. Não sabia o que fazer mas agira por impulso, sempre ouviu falar que mulheres desconhecidas e misteriosas não caiam em lábias típicas, mas nunca sentiu dificuldade nenhuma em conquistar uma, e a rejeição charmosa dela era para ele desconhecida, mas o que ele não sabia era que ela queria, e tudo aquilo fazia parte de sua fabulosa encenação. Descobriu muito de sua vida e virce-versa, gostou do que ouviu, gostou do timbre da voz dela, gostou de como o vestido brincava no corpo esbelto, gostou de ela brasileira como ele, e ela gostou dele, do seu coração acima de tudo, não de sua conta bancária como lhe era de costume, e deixaram se levar pela aquela estranha sintonia, e se entregaram a nova emoção como crianças viajando de balão sem saber onde vai chegar. Mas o que temia aconteceu, como já é de clichê nos romances proibidos.Um dia quando estavam juntos em um hotel ,já no Brasil, aguardavam juntos o café da manhã deitados sobre o divã que dava para a varanda, e foi quando a campainha tocou e pela primeira vez o seu coração se acelerou em reação á uma mulher que era sua. Quando fitou os olhos de sua esposa e viu eles se desmancharem como água em uma tela, ficou sem reação, imóvel como se o cérebro se desconectasse do corpo, e então pensou em mil e uma frases de explicações, de desculpas, de reparação de um amor já desgastado, mas não achou nenhuma, e então foi aí que percebeu que não tinha nenhuma ideia porque não queria, o que queria era ficar com sua ruiva, então falou uma das frases que certas pessoas julgariam desapropiada para o momento: - E exatamente isso que você está pensando. E lhe correu uma longa onda de alívio que se transmitiu dele para a sua ruiva, e ela chorou. Fim.
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